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Diz Que Helena

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Como amante das letras, das coisas profundas e das coisas superficiais da vida, uma das minhas maiores paixões é pôr no papel o que vejo, o que vivo e o que sinto. Misturando realidade com ficção, escrevo as minhas histórias, os meus romances, nos tempos livres que a faculdade me dá. Em 2014 publiquei o meu primeiro livro pela Chiado Editora, um romance de título "Heroína".
O Diz Que Helena é uma reflexão dos meus interesses, gostos e sonhos.

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Dancer in the Shadows
Wedding Bell Blues
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Sweet sundown
Sermão de Santo António aos Peixes
Auto da Barca do Inferno
Cavalleria Rusticana
The Rasputin Relic
Amos y mazmorras: Segunda parte
Amos y mazmorras: Primera parte
Devil In Disguise
A Walk to Remember
The Last Song
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Memorial do Convento
Bel: Amor más allá de la muerte
Harry Potter and the Order of the Phoenix
Harry Potter and the Sorcerer's Stone
Harry Potter and the Goblet of Fire
The Tales of Beedle the Bard


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David Duarte tinha 29 anos

Deparei-me com esta noticia e, ao ler a carta da namorada do David Duarte, entrei numa espécie de choque. Chorei ao ler as palavras dela e senti um misto de emoções: frustração, nojo e revolta. Como é possível que isto tenha acontecido em Portugal? Como é possível os meus pais e tantos outros portugueses fazerem tantos sacrifícios ao longo do mês para pagarem os seus impostos, e ao fim-de-semana não haver médicos para tomarem conta das ocorrências que surgem? Era uma situação urgente! Como é que estes profissionais da saúde deixaram isto acontecer? Onde está a parte humana destas pessoas, que fizeram um juramento em como protegeriam vidas humanas, mas que deixaram morrer um jovem de 29 anos por ser fim-de-semana?

Eu tenho uma irmã com a mesma idade do David. Pensar que isto poderia acontecer-lhe e eu não poderia fazer nada deixa-me triste, ao mesmo tempo que me dá um sentimento de impotência que ninguém deveria sentir. 

Acredito que não seja fácil ter uma profissão onde a vida das pessoas dependa do nosso desempenho - esse é um dos motivos pelo qual nunca tive interesse na área da saúde. Também acredito que os anos de estudo, as responsabilidades e as poucas horas de sono que têm disponíveis devam ser recompensadas com salários justos. Todavia, tanto os médicos como a direção do hospital tinham a responsabilidade de assegurar uma equipa para situações de emergência como esta.

Penso que toda a gente tem direito a revindicar os seus direitos e lutar por melhores condições de trabalho, mas as lutas pelo que é justo não podem ter este tipo de consequências. Profissionais da saúde, assim como os de segurança, não podem simplesmente tirar o fim-de-semana; tem de haver uma gestão dos recursos humanos e, se há falta desses mesmos recursos, é imperativo haver investimento. 

No entanto, o problema é claro: o governo tem outras prioridades. E qual é o problema antes deste problema? Os portugueses cingirem-se ao tempo da antena (e às vezes nem isso) para refletirem em que partido devem votar, ou então votarem naquele que aparece mais vezes na televisão. Pior que estas situações, só mesmo os que pensam que o seu voto não faz diferença, e acabam por ficar em casa quando deviam estar junto das urnas. 

E com isto, onde está a minha vontade de dizer que sou portuguesa, e de lutar para que este país seja melhor? 

 

Fonte: Expresso

 

Não consigo imaginar a dor dos familiares e amigos do David, não consigo imaginar a revolta que estão a sentir neste momento, a dor que deve ser imensa e que parece que não vai passar nunca. Não que adiante alguma coisa, o pior já aconteceu e não pode ser mudado, mas espero que os culpados sejam responsabilizados e que medidas sejam tomadas para que não hajam mais Davids a não chegarem aos trinta anos por falta de assistência médica. 

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